Cry Baby X Electra Heart: Melanie Martinez copiou Marina and the Diamonds?

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Logo após lançar seu primeiro álbum de estúdio, Melanie Martinez precisou enfrentar comparações e acusações de plágio. As alegações eram de que Cry Baby era uma cópia de Electra Heart, segundo álbum de Marina and the Diamonds. Esse era o início do infindável Cry Baby X Electra Heart.

As comparações entre os dois começaram quando os fãs perceberam que Cry Baby era um álbum conceitual, assim como o álbum de Marina, lançado três anos antes. Assim como Electra Heart, também, o álbum de Melanie contava com uma narrativa em videoclipes.

Além disso, o ambiente e a temática de Cry Baby lembrava bastante o álbum de Marina, dando força ao Cry Baby X Electra Heart. Porém, para adiantar a resposta dessa pergunta, serem álbuns conceituais e contarem a história trágica de uma mulher é o mais próxima que uma narrativa chegará da outra.

Confira o vídeo do Poeira Literária sobre o assunto:

 

 

Cry Baby de Melanie Martinez

Melanie Martinez nasceu em Nova Iorque, tem um estilo único e canta desde a adolescência. No ano de 2012, ela ficou conhecida no mercado musical ao participar do The Voice, tendo Adam Levine como mentor.

Melanie não chegou ao final do reality show, mas conquistou a internet com sua personalidade.

Usando roupas delicadas, soando com uma voz incomum e exibindo um cabelo de duas cores, ela se tornou uma musa indie com uma legião de fãs adolescentes. Assim, em 2015, ela lançou seu primeiro álbum de estúdio: o Cry Baby.

Cry Baby: uma história contada por uma personagem com personalidade dissociativa

As 13 faixas do álbum contam a história trágica de uma menina depressiva e ansiosa.

A personagem, apelidada de Cry Baby pelos membros de sua família disfuncional, enfrenta problemas psicológicos e passa por situações terríveis, como sequestro e internação em clínica psiquiátrica.

Para contar a história de sua personagem, Melanie utilizou três plataformas principais: as músicas do álbum, o encarte do CD e os videoclipes. As músicas se dividem entre a narrativa em primeira e terceira pessoa, contando toda a história de maneira nebulosa.

O ouvinte nunca saberá o que aconteceu de verdade com Cry Baby.

Porém, toda a narrativa das músicas é completada com o encarte do CD e os videoclipes. O encarte contém ilustrações da personagem e versinhos rimados resumindo acontecimentos da história.

Enquanto os videoclipes, um para cada canção, aprofundam visualmente a história da personagem. Você pode ler a história e análise completa de Cry Baby neste artigo. E se quiser, confira o vídeo abaixo:

 

 

Electra Heart de Marina and the Diamonds

Marina and the Diamonds é uma cantora nascida no País de Gales, mas que tem uma forte ascendência grega.

Seu primeiro álbum foi lançado em 2010 e hoje, para o lançamento do quinto álbum de sua carreira, Marina and the Diamonds se tornou apenas MARINA.

Electra Heart é seu segundo álbum de estúdio. Classificado como um álbum conceitual, a história acompanha uma adolescente que se deixa influenciar pela mídia ao buscar a felicidade.

Ela se deixa corromper por arquétipos femininos disseminados pela cultura pop e cria personas que deveriam levá-la ao amor verdadeiro.

Porém, Electra percebe que tudo não passa de uma ilusão prejudicial e que o caminho até a felicidade não deveria passar por cima de seu amor próprio e nem sacrificar a sua personalidade.

Cry Baby X Electra Heart: Melanie Martinez copiou Marina and the Diamonds?

Para contar a história de Electra, Marina utilizou duas mídias e o seu próprio visual. As 12 músicas do álbum narram as desventuras da personagem, desde que descobre suas personas até o momento em que ela desveste as personalidades inventadas.

A cantora também utilizou uma série de videoclipes, porém não foram gravados vídeos para todas as músicas e eles não estão na mesma ordem que as músicas do álbum.

A impressão que fica é que Marina estava tentando contar outra história com os videos, uma linha do tempo alternativa para a personagem.

Também muito importante para a narrativa da história de Electra Heart foi a caracterização de Marina como a personagem.

Naturalmente morena, ela tingiu os cabelos de loiro, passou a usar um coração desenhado na bochecha e suas aparições na mídia envolviam roupas em tom pastel e com a estética dos anos 50.

Você pode acompanhar melhor a história de Electra Heart e a análise do álbum aqui. Você também pode assistir ao vídeo abaixo:

 

 

Cry Baby X Electra Heart: os temas e a ambientação

Apesar das comparações, Cry Baby e Electra Heart não são tão similares nos temas tratados e na ambientação quanto os fãs acreditam.

Enquanto o álbum de Marina foca seus esforços em questionar o papel social feminino e a dinâmica social de um casal usando o amor e a felicidade como plano de fundo, Melanie explora a psiquê de uma adolescente depressiva oriunda de uma família disfuncional.

A personagem de Marina enfrenta a sociedade, enquanto a personagem de Melanie enfrenta a si mesma.

Enquanto Electra precisa se encontrar em meio a um mundo que a molda para ser algo diferente, Cry Baby precisa vencer seus próprios medos e não se entregar à loucura.

Os dois álbuns, porém, mostram similaridades na estética visual e  na ambientação da trama no tempo e no espaço.

 

As duas histórias, claramente, se passam em alguma cidade pequena dos Estados Unidos durante os anos 50 ou 60.

A vida de Electra Heart é um espelho da sociedade da época, inclusive trazendo figuras icônicas do período, como Marilyn Monroe, para a narrativa.

E Cry Baby segue a mesma estética na vestimenta dos personagens e na tecnologia usada nos videoclipes (vide a televisão, e o programa que passa no aparelho, no videoclipe de Mrs. Potato Head).

Mas apesar de conter diferenças na maior parte do tempo, existem sim, similaridades na história. Um dos principais pontos de comparação é a influência da mídia na vida das duas personagens.

Electra Heart se torna uma mulher moldada pela mídia e Cry Baby é uma menina que passa a ser afetada por ela, especialmente na segunda metade do álbum, quando ela começa a ficar descontente com sua aparência.

A mãe da Cry Baby é a Electra Heart?

Tentando encontrar uma similaridade maior entre os dois álbuns, os fãs resolveram fazer uma nova pergunta: seria Electra Heart a mãe da Cry Baby? Podemos dizer que, de certa forma, as duas têm jornadas bastante similares, mas o mais provável é que não.

Cry Baby X Electra Heart: Melanie Martinez copiou Marina and the Diamonds?

A mãe de Cry Baby é uma personagem que ganha bastante visibilidade e importância no álbum de Melanie por ser uma mulher com vários problemas.

Ela nunca quis ser mãe, não era feliz no casamento, é obcecada com sua aparência e termina por protagonizar um dos momentos mais traumáticos da vida da filha: se torna a assassina de seu marido e Cry Baby assiste a tudo.

Electra Heart é uma mulher infeliz em seu casamento e acredita que deve manter aquela unidade para conseguir ser feliz, mas não chega a tanto em sua jornada.

Sim, as duas personagens são mulheres influenciadas pela mídia e acreditam que precisam ser perfeitas para serem apreciadas, mas não existe evidência concreta de que Melanie tenha se inspirado em Electra para criar a mãe de Cry Baby.

Até onde estamos falando de inspiração?

Então, como conclusão, podemos dizer que Melanie copiou Marina? Não, podemos apenas dizer que ela usou Electra Heart como uma inspiração para escrever seu próprio álbum conceitual.

Sabemos que Melanie é fã de Marina (inclusive, ela entregou um cover incrível de Starring Role), mas falar em plágio é ir longe demais no Cry Baby X Electra Heart.

Plagiar significa copiar alguma coisa em totalidade, ou em partes, sem a permissão do autor. Nesse caso, a única coisa que Melanie fez foi se inspirar no processo de Marina para contar uma história por si própria.

Álbuns conceituais não foram inventados por Marina e a temática social e influência da mídia é algo que muitos artistas trazem em suas músicas porque o tema é relevante para o mundo conectado em que vivemos hoje.



Redação Poeira Literária

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O Poeira Literária é um portal de literatura e cultura pop. Aqui falamos sobre histórias e como essas histórias se conectam com o mundo em que vivemos.

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