Electra Heart: uma história que questiona o papel social da mulher

Electra Heart uma história sobre amor próprio e o papel da mulher na sociedade
Tempo de leitura: 19 minutos

Em abril de 2012, Marina and the Diamonds (agora conhecida apenas como MARINA) se reinventou de maneira inédita. A cantora já era conhecida do universo pop indie, mas se arriscou no cenário mainstream ao lançar o dançante e questionador Electra Heart.

O álbum conceitual é um experimento da carreira de Marina e conta a história da jovem Electra Heart. A personagem tem uma personalidade problemática e se deixa influenciar pela mídia ao buscar pela felicidade.

Na busca extrema por amor e por aceitação, Electra assume personas que tem o papel de levá-la ao sucesso.

Começando na adolescência da personagem, passando por um casamento fracasso e terminando com sua libertação das amarras sociais, o álbum levou Marina ao estrelado mundial e é considerado sua obra prima.

Quem é Marina and The Diamonds?

A cantora nasceu no País de Gales, na pequena cidade de Abergavenny, como Marina Lambrini Diamandis em 10 de outubro de 1985. Algo de que Marina tem muito a se orgulhar são suas raízes gregas.

Ela conta que cresceu entre o País de Gales e a ilha de Lefkada, na Grécia, onde seu pai cresceu.

Marina sempre demonstrou muito interesse pela música pop, sendo uma grande fã de Madonna e do poder que a música pop tem de entrar na vida das pessoas e comunicar temas complexos de maneira leve.

A escolha de seguir a carreira musical foi algo inusitado. Aos 18 anos, Marina resolveu se mudar para Londres para tentar viver de música. A cantora lançou o primeiro EP, Mermaid Vs. Sailor, no MySpace em 2007.

Electra Heart: uma história que questiona o papel social da mulher

A fama chegou para Marina em 2010 com seu primeiro álbum de estúdio, The Family Jewels, uma coletânea de hinos questionadores e críticos.

Do primeiro álbum, podemos destacar o single “Hollywood” que, nessa fase, era sua música mais famosa nos rankings e que já entrega um pouco os temas do segundo álbum.

Como cresceu longe da mídia e assistindo a cultura pop de longe, a visão de Marina sobre a fama e sobre o pólo cultural americano sempre foi bastante crítica.

No single Hollywood, por exemplo, ela traz a fascinação que os filmes e o sonho americano causam nas pessoas.

O primeiro álbum de Marina é carregado de crítica social, deixando temas pessoais e o amor, uma constante no universo pop, de fora. Em Electra Heart, que veio dois anos depois, Marina se permitiu abordar o amor, mas utilizando disfarces.

Depois do extraordinário segundo álbum, a cantora voltou ao estúdio para gravar um álbum quase confessional: Froot, o terceiro de sua carreira, que veio em 2015.

Com temas mais maduros e que exploravam a solidão e o amor por si própria, o álbum foi seguido por um hiato na carreira de Marina.

A cantora contou que pensou em desistir da carreira e, inclusive voltou para a faculdade, onde estudou psicologia. Porém, Marina não conseguiu ficar longe dessa forma tão característica de expressão e em 2019 lançou o sincero e vulnerável Love + Fear.

Explorando a dualidade de pensamento e comportamento humano, a cantora está de volta com um álbum duplo, contendo 16 músicas.

Electra Heart: uma história que questiona o papel social da mulher

Marina gosta de trabalhar sozinha

Marina tem uma característica muito interessante quanto ao seu processo musical: a independência. Ela contou em entrevista que seu primeiro álbum foi escrito, produzido e mixado apenas por ela porque Marina não queria que ninguém mais turvasse seu processo criativo.

Essa exigência é compreensível: Marina quer ser autêntica na mensagem que está passando. Além disso, ela disse ter a impressão de que ter a ajuda de compositores ou produtores poderia torná-la incapaz perante a mídia.

Porém, com a pressão da indústria e tentando combater o medo de estar sendo cabeça-dura, ela decidiu tomar uma decisão corajosa: para dar luz ao Electra Heart, Marina convocou compositores e produtores famosos da indústria fonográfica.

Marina, inclusive, deu um relato poderoso sobre essa decisão em Fear and Loathing, a última música de Electra Heart, mas uma de suas primeiras composições para o disco.

Electra Heart uma história que questiona o papel social da mulher

Uma curiosidade é que entre seu time de compositores e produtores estava Dr. Luke. Envolvido no sucesso de diversas artistas da música pop, ele foi acusado de assédio sexual e estupro recentemente por diversas cantoras. Entre elas, Kesha. Após as acusações, Marina foi a público apoiar a cantora.

Apesar do sucesso que Electra Heart trouxe e do reconhecimento que Marina ganhou com a nova fórmula, para a construção de Froot, ela voltou sozinha ao estúdio.

A cantora declarou que detestou a experiência de trabalhar em conjunto com outros músicos e que ter controle total sobre sua obra é o que a realiza.

Os temas de Electra Heart

Marina é uma cantora que, desde sempre, trouxe a psicologia e os questionamentos sociais para suas músicas. Então, seus quatro álbuns de estúdio trazem uma coleção de análises sobre comportamento humano e o poder da mídia.

Em The Family Jewels, por exemplo, ela reflete sobre como a sociedade em que vive é maldosa para uma jovem adulta e como certos comportamento são prejudiciais.

Em Froot, ela desmembra a mente humana e seu próprio comportamento como ser humano. Em Love + Fear, ela investiga a dualidade do amor e medo e como todos os comportamentos humanos bons e ruins provém dessas duas vertentes.

Em Electra Heart, por sua vez, ela assume uma persona para questionar o papel social feminino, a influência da mídia e a que ponto chegamos para conseguir o que achamos que vai nos fazer feliz.

Para isso, lidamos o álbum inteiro com a figura de arquétipos, imagens femininas perpetuadas pela mídia.

Electra Heart uma história sobre amor próprio e o papel da mulher na sociedade

É interessante como Marina utiliza a própria mídia para denunciar o que a cultura pop propaga. Ela diz ter se fascinado pela música pop pela facilidade com que a mensagem chega aos lares e como conquista as pessoas.

Em seu segundo álbum, então, ela utilizou da mesma ferramenta que cantoras pop, como Madonna e Britney Spears, usam para passar a sua mensagem.

Nessa história, Electra Heart é uma menina influenciada pela mídia pop a atingir a perfeição. Ela tinha o sonho de ser feliz e, por meio do que via na TV, acreditou que precisava ser a mulher perfeita para conseguir o que queria.

Nos filmes que assistia, as mulheres mais bonitas e comportadas chegavam à felicidade e ao amor verdadeiro. Então, Electra se agarrou a essa imagem e a tomou como verdade.

Os arquétipos femininos na narrativa

Para contar a história, Marina utiliza quatro arquétipos. Segundo as descrições da cantora, esses quatro arquétipos são definições da personalidade feminina difundidas pela mídia e nos quais todas as narrativas, ficcionais ou não, encaixam as mulheres.

Antes de entrar nesse assunto, é importante entendermos o que são arquétipos e sua relação com estereótipos.

 

 

Os arquétipos são figuras sociais. Por exemplo: pai e bruxa. Se alguém nos diz essa palavra, ou se lemos essa palavra em algum lugar, conseguimos entender e visualizar esses papeis. Sabemos que “pai” é um homem que tem filhos e que “bruxa” é uma mulher com poderes mágicos.

No álbum, Electra Heart aprende com esses arquétipos e acredita que eles são essenciais para ser uma mulher em sociedade. Então, ela se deixa influenciar por eles e moldar sua personalidade ao redor disso.

Arquétipos são facilmente confundidos com estereótipos, mas as definições são distintas.

Os estereótipos acontecem quando esse papel social encontra o imaginário da sociedade. Mesmo sabendo que “pai” é um homem que tem filhos, podemos imaginar que eles são severos, que chegam tarde em casa e que podem ter bigode.

Na mesma medida, sabemos que “bruxa” são mulheres com poderes mágicos, mas podemos imaginá-las com verrugas, malvadas e usando chapéu pontudo.

Para construir a história, Marina partiu do arquétipo e representou as situações vividas pela personagem de acordo com estereótipos. Ela trabalhou as figuras da Dona de Casa, Destruidora de Lares, Ídolo Adolescente e Rainha da Beleza

Housewife, a Dona de Casa

Inspirada nas donas de casa dos anos 50, a Housewife de Electra Heart é uma mulher que não mede esforços para que sua família esteja feliz e tudo dentro de sua casa funcione.

Ela ama seu marido, mantém a casa sempre limpa, sabe receber os convidados como ninguém e entende que precisa se anular para que aquele organismo funcione.

A maior aparição dessa personagem no álbum é em Lies, quando Electra percebe que seu lar está sendo ameaçado pelo fantasma da separação e sugere uma mentirinha.

 

 

Homewrecker, a Destruidora de Lares

Figura que vem no sentido oposto da Housewife, a Homewrecker de Electra Heart é uma mulher que não se preocupa com os outros, apenas com o seu próprio prazer.

Inspirada nas amantes e aventureiras responsáveis por “destruir famílias” ao se envolver com homens casados, podemos enxergar essa mulher em plena forma na música Homewrecker.

Porém, esse arquétipo ganha uma versão dúbia no álbum. Seria ela apenas uma mulher que destrói o lar dos outros ao se envolver com um homem casado?

Ou uma mulher que destrói seu próprio lar ao não ser a esposa perfeita que a sociedade espera que ela seja?

Electra Heart uma história que questiona o papel social da mulher

Idle Teen, a Ídolo Adolescente

Esse arquétipo representa toda a rebeldia e imprudência da juventude. Inspirada nos adolescentes que vemos nos filmes americanos, essa figura entra na história de Electra Heart para nos fazer pensar sobre a falta de sensatez que temos quando somos jovens.

Electra se arrepende de suas escolhas e coloca a maior parte da culpa no seu eu adolescente, aquela que tomou decisões sem pensar direito nas consequências. Esse arquétipo aparece em Teen Idle, um hino que nos faz falta olhar com atenção para a juventude.

Um aspecto interessante sobre esse arquétipo é a grafia escolhida por Marina. A expressão Idle Teen significa adolescente irresponsável, porém soa exatamente como Idol Teen.

Seriam duas facetas sobre uma mesma persona. De um lado, uma adolescente fazendo escolhas erradas e sendo irresponsável, enquanto é invejada pelos colegas e vive a vida intensamente.

Electra Heart uma história que questiona o papel social da mulher

Beauty Queen, a Rainha da Beleza

A Rainha da Beleza é o arquétipo mais disseminado no álbum e que permeia todos os outros.

Inspirado nas meninas malvadas das escolas americanas, nas dondocas que acham que merecem o mundo e nas mulheres que colocam a beleza acima de tudo, esse arquétipo aparece em diversas faixas do álbum.

A Beauty Queen é sempre apresentada da mesma maneira, como uma menina mimada e que gosta de brincar com os outros apenas por que ela sabe que pode fazer isso. Os destaques são em Bubblegum Bitch e Primadonna.

Electra Heart uma história que questiona o papel social da mulher

As referências para criação de Electra Heart

Marina já declarou que suas referências para a criação do álbum vieram de diversos lugares, mas principalmente da representação feminina na mídia e do papel feminino percebido pela sociedade.

No álbum, ela explora esse papel por meio dos arquétipos usando interações sociais, amorosas e familiares.

Marina já declarou que a faísca para que ela começasse a escrever Electra Heart como um álbum conceitual veio de O Vale das Bonecas“, um filme de 1967, inspirado no livro de mesmo nome (1966).

O livro, inclusive, inspirou a décima música do álbum. Na história, três mulheres tentam a sorte em hollywood, levando seus corpos e suas mentes a extremos em favor de um sonho.

Electra Heart: uma história sobre amor-próprio e o papel social da mulher

O paralelo com Electra Heart é contar a história de alguém que quer tanto alguma coisa que se dispõe a perder a própria identidade em troca de um sonho e da perfeição.

Nas duas histórias, as protagonistas acreditam que a perfeição pode trazer o sonho e a felicidade. Porém, quando chegam onde almejam, descobrem que nada do que sonhavam era realidade.

A estética de toda a história de Electra é claramente inspirada nos anos 50 e 60, um tema constante para dramas domésticos em Hollywood. O primeiro dos arquétipos, aliás, é uma referência direta à esposa perfeita do sonho americano.

Além disso, ela traz a temática dos filmes colegiais com adolescentes americanos bastante forte, já que imaginamos que tenha sido com esses filmes que Electra cresceu.

Além de explorar as dinâmicas sociais da sociedade oriental e de investigar a psiquê de Marilyn Monroe, ícone de sexualidade e beleza do século XX.

Electra Heart: uma história sobre amor-próprio e o papel social da mulher

A linguagem e as melodias

O álbum inteiro é contado em primeira pessoa e isso é um recurso muito inteligente porque um dos objetivos da Marina é fazer com que o ouvinte se coloque na pele de Electra e experimente seus motivos.

E o tom da confissão das músicas entrega essa experiência. A identificação é extremamente importante para que a história faça sentido e o discurso direto usado nas letras contribui significativamente para esse efeito.

A melodia é outro aspecto bastante importante no álbum porque elas dão dicas sobre o humor da Electra durante sua jornada.

Normalmente, músicas mais agitadas acontecem em momentos em que a Electra está nervosa ou animada com alguma coisa. Enquanto as músicas de melodia mais lenta mostram momentos de reflexão e tristeza.

 

 

A história de Electra Heart

De uma maneira resumida, o segundo álbum de Marina and the Diamonds traz a simples história de uma menina que queria ser feliz. Ao que tudo indica, Electra Heart nasceu e cresceu envolta em uma família disfuncional.

Ela tinha uma péssima relação com seu pai, tanto que um verso de Starring Role é dedicado a ele.

Não sabemos se ela tinha uma família religiosa, mas há um verso intrigante sobre “queimar uma bíblia” em Teen Idle que se encaixaria muito bem no contexto.

Seu hobby predileto era assistir televisão e ver como as histórias dos filmes e séries sempre levava as mulheres mais bem comportadas ao final feliz.

As vilãs, as mulheres que se comportavam mal e as esposas que não se submetiam ao marido tinham finais tristes. E devido a pouca felicidade que teve quando criança, Electra queria encontrar seu final feliz.

Electra Heart: uma história que questiona o papel social da mulher

Desde pequena, então, Electra entendeu o que era o seu objetivo final. Ela percebeu que poderia usar seu corpo e sua beleza para manipular as pessoas ao seu redor para chegar lá e compreendeu que deveria se comportar como uma dama.

Ela deveria ser amável e complacente, senão seu final feliz não chegaria.

Por isso, ela encerrou sua real personalidade dentro de si própria. Durante todo o álbum, percebemos Electra sendo muito controladora com seus atos e pensando muito antes de tomar uma decisão porque é sua felicidade que está em jogo.

A vida perfeita que ela queria não combinava com quem ela era de verdade, então Electra criou personagens para levá-la onde queria. Se ela precisava arrumar um namorado com potencial para marido, chamava a Beauty Queen para conquistá-lo.

Se precisava ser uma esposa invejável e lutar por seu casamento, ela chamava a Housewife. Porém, quando percebeu que suas tentativas de ter um casamento perfeito não traziam sucesso, Electra rotulou a si mesma como uma Homewrecker.

E ao se deparar quando um passado do qual não tinha orgulho e com escolhas mal feitas, Electra se viu como uma Idle Teen.

O Poeira Literária analisou todas as músicas do álbum, então acompanhe cada uma das faixas abaixo:

  1. Bubblegum Bitch
  2. Primadonna
  3. Lies
  4. Homewrecker
  5. Starring Role
  6. The State of Dreaming
  7. Power and Control
  8. Living Dead
  9. Teen Idle
  10. Valley of the Dolls
  11. Hypocrates
  12. Fear and Loathing

 

 

Pela narrativa de Marina, percebemos que Electra cresceu em um lar infeliz, tendo a televisão como companheira. Seu pai parece ter sido um problema, enquanto sua mãe parece ter se anulado na relação, servindo de exemplo para a filha.

Ao se tornar uma adolescente, nossa protagonista entende o poder que tem em mãos.

Ela é linda, tem uma figura invejável e percebe que pode usar o seu visual para conseguir sua felicidade. Ela, então, se assume como uma Bubblegum Bitch. É uma menina implacável, linda e que sempre consegue tudo o que quer.

Porém, ao contrário das rainhas da escola que apenas queriam poder, Electra quer um marido. E em Primadonna, ela consegue. Electra encontra um namorado que a pede em casamento e promete o mundo inteiro para ele.

Os dois estão vivendo uma relação fervorosa, estão se divertindo juntos e Electra parece ter encontrado o que queria: um homem que a amasse acima de tudo e que a levasse até a felicidade, mas a vida a leva para outro lado.

Depois da fase de lua de mel, Electra se viu em um casamento em ruínas. Talvez por tudo ter acontecido em um furor ou pelo casamento não ser exatamente aquilo que os dois esperavam.

O marido se distancia e, para não se tornar uma esposa ruim, como as que via na TV, Electra sugere um casamento de fachada.

A esperança é que isso pudesse ajudar, mas não ajuda. O casamento termina e Electra se vê em declínio, caindo, cada vez mais, na infelicidade. Ela entra em um processo de depressão e culpa, onde acredita ser uma destruidora de lares.

No caso, não do lar de outra família, mas do seu próprio lar. Enquanto não sabe o que fazer, Electra busca por um novo começo.

Porém, o ritmo do álbum dá a entender que o marido volta para casa e o casamento continua como uma fachada. Eles não se amam mais, o marido não fica com ela da maneira como ficava em Primadonna e Electra se vê anulando a si própria para continuar com aquela farsa.

Então, nesse momento de plena solidão e tristeza, ela começa a se questionar. Por que ela precisa se anular? Por que ela precisa estar casada dessa maneira? Por que seu marido não a ama?

Electra questiona os papeis sociais e o seu próprio esforço em fazer uma relação ruim dar certo.

Ela sempre viu o casamento como o seu final feliz e o seu porto seguro, mas nada disso estava acontecendo. Ela estava mentindo e amando pelas duas partes e isso é errado.

Ela se questiona, então, sobre sua própria vida. Electra estaria vivendo de verdade ou apenas sonhando? Será que tinha valido a pena colocar os arquétipos a frente de sua própria personalidade para seguir com algo que ela nem sabia mais se era real?

Porém, mesmo se questionando sobre tudo, Electra não deu um ponto final imediato ao casamento e ao seu sofrimento. Ela demorou a se questionar sobre o mais importante: será que estava na hora de matar aquela Electra perfeita que todos conheciam?

Electra Heart Analisada: mulheres idolatradas em "Valley of the Dolls"

Mas nossa protagonista não estava falando de uma morte real, mas de uma morte metafórica. Ela percebeu que há algo de muito errado com a maneira com que ensinamos as meninas e meninos sobre o que é o amor.

Tudo é sempre uma guerra, alguém será menos amado do que o outro e esse alguém, quase sempre, é a mulher. Ela se pergunta sobre suas próprias experiências.

Com os arquétipos dominando seus passos, Electra não teve experiências verdadeiras, mas apenas os passos calculados que a levariam à tal felicidade. Coisa que ela percebeu ser algo inalcançável e injusto com ela mesma.

Electra, então, faz suas malas, desmancha o visual de esposa perfeita e, antes de ir embora de casa, expõe a hipocrisia do marido e da sociedade que a rodeia. Ao final do álbum, encontramos a personagem pronta para entrar em uma nova jornada.

Ela tem medo do que está por vir, mas sabe que se encontrou e que só isso já basta.

Electra Heart uma história que questiona o papel social da mulher

O impacto de Electra Heart na cultura pop

Muito mais do que ser um álbum pop que mudou a vida de Marina, Electra Heart traz uma mensagem poderosa para as mulheres de todas as idades.

Marina sempre acreditou que a música pop pode entrar no lar das pessoas e entregar ensinamentos importantes e trouxe algo transformador em seu segundo álbum: não seja manipulável, seja fiel a si própria e não acredite em tudo o que você vê na TV.

As músicas foram escritas entre 2011 e 2012, época em que as redes sociais ainda não tinham o poder que têm hoje, mas tem um tom quase profético quando percebemos que Primadonna poderia ser o hino de qualquer influenciadora digital.

Electra Heart nos ensina a questionar nossa paixão por ícones da moda e da beleza, nos ensina a questionar nossos próprios papeis sociais e nos ensina a colocar em dúvida a nossa definição de felicidade.

Para Electra, ser feliz era ser amada e isso a levou a entrar em diversos relacionamentos ruins.

Com esse álbum, Marina nos pergunta: tudo o que você faz para ser feliz é saudável? A sua definição de felicidade é algo real? Você não está escondendo o seu verdadeiro eu em favor de uma mentira?

A preocupação que Marina nos traz é a obsessão com algo que pode ser uma mentira e ela contou essa história de uma maneira fascinante.

A própria história desse segundo álbum da cantora pode ser comparada com a história de Electra: uma menina comum que chega ao estrelato ao assumir uma persona.

Marina mudou seu cabelo, suas roupas e seu comportamento para chegar onde queria e passar a mensagem que queria.

E é interessante notar que Electra Heart é o álbum preferido da maioria dos fãs da cantora que, até hoje, choram a morte dessa personagem.

Electra Heart foi tão revelador na época de seu lançamento que é influência para artistas da nova geração.

Melanie Martinez, cantora indie, lançou seu primeiro álbum em 2015 e já foi muito comparada com Marina por, também, trazer esse questionamento social em Cry Baby.

É irônico que o coração na bochecha seja visto como o símbolo icônico de uma personagem invejada, quando, na verdade, ele significa que viver de aparências nunca vai trazer felicidade.

Electra Heart uma história que questiona o papel social da mulher



Redação Poeira Literária

Redação Poeira Literária

O Poeira Literária é um portal de literatura e cultura pop. Aqui falamos sobre histórias e como essas histórias se conectam com o mundo em que vivemos.

Leia também

1 Comment

  1. Avatar

    Olá Mariana! Adorei seu post sobre o álbum Electra Heart.
    Bom, me identifico bastante com esse álbum pois fala sobre o desejo feminino pela vida perfeita.
    As vezes olho meu Instagram e vejo meninas perfeitas, com aparência perfeita e que mostram uma vida perfeita, e aquilo acaba me influenciando pois de forma indireta, porque as vezes tenho o sentimento de querer ser como elas, e ter o mesmo estilo delas.
    E também pelo complexo de Electra, que é algo que sofro bastante pois a figura paterna sempre foi algo complicado para mim.
    É INCRÍVEL como tenho uma conexão musical com a cantora MARINA pois ela sempre escreve letras sobre coisas que acontecem comigo e minhas opiniões sobre a vida.
    Gratidão de verdade! Abraços. ♥♥

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *